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sábado, 13 de junho de 2009

Relações, internet, pessoas, pós-modernidade

Quanto custa?

Qual o preço para sair da solidão?

Solidão coisa cafona, romântica ultrapassada.

Parece fora de moda falar esta palavra num mundo globalizado como o nosso. Alguém poderia afirmar: só fica só quem quer. Com a popularização dos meios de comunicação, é possível encontrar aparelhos telefônicos nos lugares mais remotos do planeta, telefonia móvel, celulares, satélites, fax, telegrama, considerando que, estes dois últimos, tem gente que não conhece ou nunca experimentou.

Isto sem falar na internet que disponibiliza uma série de opções: lazer, esporte, informação, namoro, amizades e até casamentos, pasmem, se você pensou que tudo estava perdido e que tudo já havia sido inventado, engano o seu. Sim, pessoas casam pela e através da internet.

Ligado na rede você pode escolher a sua “tribo”, selecionando aquelas pessoas com que você entrará em contato a partir do perfil, preferências, opções, localização, idade, idioma, interesses, enfim, um supermercado de gente, um bazar virtual de seres humanos, artigos para todos os gostos.

Por trás desta “rede” está o consumo, a exclusão social, a ausência de compromisso, a alienação, isto sem falar do assunto do momento, pedofilia, abuso e prostituição adulta e até infantil, será um woodstok ampliado? Não me pergunte, não sei!

Quando o papo está chato é só dar um duplo click com o botão esquerdo do mause (olha o rato) e procurar outra pessoa, mais interessante, um produto mais bonito, uma página mais agradável, um vídeo picante, aquela música inebriante e o resto fica por conta dos seus dedos talvez da sua imaginação, se você for bem criativo.

Mas, mesmo na internet existe solidão, essa massa que não consegue se encontrar no real, que se esbarra nos ônibus, e metrôs da vida. Salas vazias, chats lotados, ninguém se cumprimenta. “Quer tc?”

Ambiente virtual é até admissível mas, barzinho virtual não, porque ambiente pode ser qualquer coisa, pode ser qualquer lugar, qualquer espaço habitado ou não, ele sempre será um “ambiente”, mas um barzinho não, sem os freqüentadores, ele se constitui apenas num local com um monte de cadeiras vazias.

Nos ambientes virtuais, onde fugimos da solidão, encontramos outros iguais, que sofrem do mesmo mal, o mito da urbe, da cidade da “sub” urbanidade. Silenciadas, e para compensar ou equilibrar esta neurose coletiva a que nos submetemos, somos cooptados pelo mundo virtual. Mundo do silêncio ampliado, onde o som mais comum é o do toque dos dedos sob o teclado, esse mesmo som que experimento agora, ao digitar esse texto no Word.

O afastamento do outro, e a aproximação das máquinas é algo para ser pensado, ainda é muito comum pensar na máquina como algo que vai resolver nossos problemas. A virtualização dos contatos sociais, a sorte, o amor, a alegria, a companhia, acontecem ao mesmo tempo em que você paga a conta de energia através do seu banco virtual assim, virtualizam-se sentimentos, expectativas, sonhos e emoções.

Um abraço, um aperto de mão, um beijo na boca, calma! Não continuarei a descrição. Para muitos estas expressões são portadoras de uma carga excessiva de intimidade e de invasão da “privacidade”. Que lógica estranha, fico pensando, será que este esquema já foi diferente em algum momento?

Me parece que, à medida que avançam as possibilidades de maior e ”melhor” comunicação, se avolumam o número de pessoas solitárias, sozinhas, rígidas, fechadas. Enclausuradas num mundo que se mostra, em aparência, sem fronteiras e sem limites inter-pessoais.

A máquina embruteceu o humano Mr. Chaplin? Nossos sonhos se realizaram e agora fomos presenteados com laço de fita e embalagem adornada, ao sabor dos nossos sonhos ou dos nossos pesadelos, talvez apatia coletiva. Por favor contraponham-se a estas idéias e devaneios mas antes, permitam-me convidá-los para visualizar a seguinte imagem: pessoas reunidas em ambientes “sociais” bares, clubes, festas, os famosos pontos de encontro dos shopings centeres. Isto sugere alguma coisa a você?

Alguns animais vivem em bandos, e isto, biológica e psicologicamentemente falando, é saudável para eles. Contudo, parece que esta lógica não se aplica às relações humanas pois, o fato de andarmos em bandos não garante a reciprocidade, cumplicidade e o sentimento de pertencimento ao grupo.

Para ser aceito em alguns grupos humanos, fale como eles, vista-se como eles, consuma o que eles consomem, assim serás aceito. Muito diferente do reino animal, ali a identidade coletiva é determinada pela espécie, na nossa aldeia, “estar no”, não significa necessariamente “pertencer ao”; a primeira atitude pode ser apenas uma tentativa natural de fuga, sem contudo produzir uma significativa interação com... “crescimento no”.

Reduzidos às aparências, maquiado por uma célebre idéia de que pertencemos a uma “irmandade” global, ligados pelos meios, fios, ondas, almas aladas que não vemos. Somos convidados a manifestar determinados comportamentos e rejeitar outros, aquilo que parecia plural se tornou reacionário, para cada estímulo, à moda skineriana, já existem uma ou mais respostas previsíveis e te digo, não ouse emitir uma resposta diferente.

Vais de carruagem ou navegar e surfar no mundo virtual? Vamos continuar produzindo e reproduzindo relacionamentos desprovidos daquelas qualidades que nos singularizam enquanto humanos? Será que solidão é fato real ou fruto dos nossos delírios?

Fruto de uma imaginação que resolveu, nesta tarde de sábado, demonizar a tão festejada aldeia global. Adooooooooooooooooooooorooooooooooo!

Me chamem de saudosista, mas por hora, pergunto:

As tecnologias estão, efetivamente, aproximando as pessoas?

Os afetos ainda estão na pauta do dia, não estou falando no presente do dia das mães ou nas fanfarrices do natal.

Há possibilidade de evoluirmos do “estar” no mundo para o “ser” do mundo?

Mundo, que mundo?

Mas, afinal de contas, ainda não consegui uma resposta para a pergunta inicial... quanto custa?