Consciente de que a educação é um fenômeno complexo, multifacetado e inacabado, conforme atesta Morin (1999), candidatei-me ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Amazonas e fui aceito na área de concentração: Educação e Antropologia. Tive a feliz oportunidade de ser orientado pelo competente e paciente Prof. Dr. Carlos Gulhermo Rojas Niño que, conduziu-me a um aprofundamento maior referente às relações entre cultura, arte, educação e antropologia.
O meu horizonte teórico se ampliou sobremaneira, conheci a teoria da Complexidade defendida por Edgar Morin. As questões expostas no Método 5 – A humanidade da humanidade, tornaram-se naquele momento, basilares para o embasamento teórico da maioria das minhas publicações, bem como da dissertação de mestrado.
Durante o processo de modelagem da dissertação nasce Pedro Alexandre, meu filho, a chegada daquele que herdará meus livros, deu novo sentido à minha vida, contribuindo para a ressignificação de uma série de paradigmas. Modificou relações e influiu no meu olhar sobre a vida, o homem e o mundo. Interessante observar como a complementaridade é inerente à natureza como um todo e lembro-me de Merleu-Ponty que, citando Stein, afirma: “a experiência sensível é um processo vital, assim como a procriação, a respiração ou o crescimento” (Merleau-Ponty, 1999 p. 31).
O discurso da integração entre os sentidos humanos, evocados pela sinestesia, se apresentou como uma possibilidade de concretização, na prática, das premissas que vinha discutindo no campo teórico, a saber, a possibilidade de processos integrados de conhecimento em contraposição à fragmentada racionalidade positivista. Defendi a dissertação em 2002 com o título: A sinestesia na relação educação e cultura, um olhar sobre a disciplina expressão cultural e educação no curso de Pedagogia da FACED-UFAM.
O título de mestre não se constitui apenas, uma condecoração ou a ascensão de um lugar diferenciado no círculo acadêmico. Sempre considerei que o manejo do conhecimento se constitui numa ação para a vida, e todo aquele comprometido com este ofício, precisa pensar nas contribuições que o saber pode trazer às pessoas, inclusive à minha. Uma série de rupturas ocorreram neste momento, pois, “leva-se muito tempo para ser jovem” e um outro tempo para ficar maduro. Afastei-me da igreja e em seguida, o divórcio. Assim como os vasos comunicantes, “(...) os sentidos comunicam-se entre si e abrem-se à estrutura da coisa” (Merleau-Ponty, 1999 p. 308.
A Fenomenologia da Percepção de Merleau-Ponty, bem como a hermenêutica de Gadamer e Paul Ricouer ampliaram o meu olhar sobre as questões relativas à interpretação e significação, o contato com a semiótica de Charles Sanders Pierce, também contribuiu para o aprimoramento deste processo de compreensão do real.
As descobertas no campo da sinestesia, também se apresentaram como um grande achado teórico, que veio confirmar a percepção e os investimentos anteriores. Nos caminhos e descaminhos, tive a feliz oportunidade de sair do Brasil, participei de um congresso de Design na Universidade de Palermo em Buenos Aires. Em nossas andanças pelas livrarias da Rua Córdoba, ressalto que estava acompanhado da Francimar. Ali, me deparei com um livro do David Le Breton, um não, dois. Nesta noite não dormi, devorei o livro, descobri a Antropologia dos Sentidos.
Um comentário:
Parabéns!
Cultura que transborda as barragens da Academia se mostra cultura viva e não estagnada e improdutiva como a cultuada por tantos e tantos acadêmicos.
Isso aí, amigo,continue vivendo cultura, sendo cultura.
Forte abraço.
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