Ao concluir o curso de graduação em 1992, ainda não me sentia preparado para o exercício da docência, conseguia identificar uma série de ganhos, no entanto, percebia a necessidade de cavar mais fundo, a base teórica fornecida pela formação de graduação no que respeita à área de educação, se mostrou frágil frente aos desafios do “ser professor”. A ênfase tecnicista evidenciada no currículo do curso de licenciatura, só consegui entender quando ingressei no curso de Especialização em Metodologia do Ensino Superior da FEBA – Faculdade de Educação da Bahia.
O curso supra mencionado, apesar de se mostrar aligeirado, permitiu uma reflexão mais aprofundada sobre as ciências da educação e os processos de ensino e aprendizagem que lhe são inerentes. Ao ingressar no curso, juntamente com a saudosa colega de trabalho e amiga da adolescência Adorice Pires, não entendia muito bem a nomenclatura, nem o campo de atuação, mas o currículo me encantou, era tudo que estava procurando: Filosofia da Educação, Educação e Sociedade, Avaliação Educacional esta disciplina ministrada por Cipriano Luckesi, dentre outras, instigantes e desafiadoras.
As leituras e debates eram enriquecedores e foi Sergio Paulo Rouanet (1987) em “As Razões do Iluminismo” que proporcionou uma reflexão questionadora sobre a necessidade de rupturas com o paradigma de cientificidade vigentes e a possibilidade de inserção no discurso científico e por extensão, no didático-pedagógico, das questões referentes ao lúdico, à emoção, o sentimento; os domínios sensórios enquanto construtores do todo que é o ser humano.
Naquele momento fui convidado para ministrar aulas no ensino médio pelo Prof. Moacir Brum e aceitei o desafio, minha cabeça estava fervilhando de idéias e esta oportunidade se configurava como ascensão profissional, reconhecimento pelo trabalho desenvolvido nos anos anteriores e a oportunidade de interagir com adolescentes, isto me fascinava.
Década de 90, as escolas da rede particular estavam encantadas com a teoria da Qualidade Total. Eu, como docente, sofri pressões para obedecer cegamente, aos princípios de Deming, e assim fiz. Esta corrente empresarial, transferida para o campo da educação, foi capitaneada no Brasil por Cosete Ramos dentre outros partidários. Foi então que resolvi dar uma resposta: efetuei uma revisão de literatura sobre esta questão como trabalho de conclusão de curso da especialização.
Começava a entender que as batalhas não são travadas apenas no âmbito da prática mas, também, no campo teórico e conceitual. Percebi que escrever seria uma maneira de não me violentar diante das questões impostas e que a escrita se constituía numa arma para vencer a ignorância.
Após a conclusão do curso de especialização em 1994, dediquei-me integralmente à docência, passei a pesquisar e produzir material didático para as aulas de Artes e Educação Musical. Impulsionado pelo contato com autores como Olga Reverbel, Ana Mae Barbosa, Olga Metting, Therezinha Requião, Alda Oliveira, Alfredo Bosi e Ernest Fischer. Criava jogos didáticos para as mais diferentes situações na sala de aula, alguns não resistiram à primeira aula, outros foram usados por muito tempo, alguns poucos, utilizo-os até hoje no ensino superior.
Um comentário:
Velho !!!! me lembro de você Professor Alexandre.... Professor de Artes. Eu era isso foi em 1995, Aluno Marcos Simas. Valeu professor Hoje sou analista de redes de computadores e guardo com carinho o aprendizado que você passou pra mim e meus amigos de salas. até hoje tenho contato com uma grande Maioria do colegio Adventista de Liberdade. Abraços
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