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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

2. É preciso aprofundar



Ao concluir o curso de graduação em 1992, ainda não me sentia preparado para o exercício da docência, conseguia identificar uma série de ganhos, no entanto, percebia a necessidade de cavar mais fundo, a base teórica fornecida pela formação de graduação no que respeita à área de educação, se mostrou frágil frente aos desafios do “ser professor”. A ênfase tecnicista evidenciada no currículo do curso de licenciatura, só consegui entender quando ingressei no curso de Especialização em Metodologia do Ensino Superior da FEBA – Faculdade de Educação da Bahia.

O curso supra mencionado, apesar de se mostrar aligeirado, permitiu uma reflexão mais aprofundada sobre as ciências da educação e os processos de ensino e aprendizagem que lhe são inerentes. Ao ingressar no curso, juntamente com a saudosa colega de trabalho e amiga da adolescência Adorice Pires, não entendia muito bem a nomenclatura, nem o campo de atuação, mas o currículo me encantou, era tudo que estava procurando: Filosofia da Educação, Educação e Sociedade, Avaliação Educacional esta disciplina ministrada por Cipriano Luckesi, dentre outras, instigantes e desafiadoras.

As leituras e debates eram enriquecedores e foi Sergio Paulo Rouanet (1987) em “As Razões do Iluminismo” que proporcionou uma reflexão questionadora sobre a necessidade de rupturas com o paradigma de cientificidade vigentes e a possibilidade de inserção no discurso científico e por extensão, no didático-pedagógico, das questões referentes ao lúdico, à emoção, o sentimento; os domínios sensórios enquanto construtores do todo que é o ser humano.

Naquele momento fui convidado para ministrar aulas no ensino médio pelo Prof. Moacir Brum e aceitei o desafio, minha cabeça estava fervilhando de idéias e esta oportunidade se configurava como ascensão profissional, reconhecimento pelo trabalho desenvolvido nos anos anteriores e a oportunidade de interagir com adolescentes, isto me fascinava.

Década de 90, as escolas da rede particular estavam encantadas com a teoria da Qualidade Total. Eu, como docente, sofri pressões para obedecer cegamente, aos princípios de Deming, e assim fiz. Esta corrente empresarial, transferida para o campo da educação, foi capitaneada no Brasil por Cosete Ramos dentre outros partidários. Foi então que resolvi dar uma resposta: efetuei uma revisão de literatura sobre esta questão como trabalho de conclusão de curso da especialização.
Começava a entender que as batalhas não são travadas apenas no âmbito da prática mas, também, no campo teórico e conceitual. Percebi que escrever seria uma maneira de não me violentar diante das questões impostas e que a escrita se constituía numa arma para vencer a ignorância.

Após a conclusão do curso de especialização em 1994, dediquei-me integralmente à docência, passei a pesquisar e produzir material didático para as aulas de Artes e Educação Musical. Impulsionado pelo contato com autores como Olga Reverbel, Ana Mae Barbosa, Olga Metting, Therezinha Requião, Alda Oliveira, Alfredo Bosi e Ernest Fischer. Criava jogos didáticos para as mais diferentes situações na sala de aula, alguns não resistiram à primeira aula, outros foram usados por muito tempo, alguns poucos, utilizo-os até hoje no ensino superior.

Um comentário:

Anônimo disse...

Velho !!!! me lembro de você Professor Alexandre.... Professor de Artes. Eu era isso foi em 1995, Aluno Marcos Simas. Valeu professor Hoje sou analista de redes de computadores e guardo com carinho o aprendizado que você passou pra mim e meus amigos de salas. até hoje tenho contato com uma grande Maioria do colegio Adventista de Liberdade. Abraços