No ano de 1995 cursei a disciplina Arte e Educação na qualidade de aluno especial no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFBA com o Prof. Sergio Farias. O contato com obras tais como: A Educação pela Arte de Herbert Read, As Educação Estética do Homem de Schiller, Teoria Estética de Adorno ou ainda Fundamentos Estéticos da Educação de João Francisco Duarte Jr.; ampliaram meus horizontes teóricos e tiveram influência direta sobre a prática em sala de aula, questão esta que só percebi algum tempo depois, quando fui homenageado pela turma de formandos do ensino médio por dois anos consecutivos.
Passei a utilizar métodos pouco convencionais e me percebia tentando trazer para a sala de aula, novos elementos que oportunizassem, àqueles rapazes e moças em formação, experiências mais significativas no campo do Ensino de Artes. Isto se estendia com os meus alunos de Piano, nas turmas de Musicalização Infantil no Colégio Adventista de Salvador ou no contato com os participantes do Coral da Igreja. Importante observar que, foi nesta época que realizei, junto com outros docentes idealistas e aventureiros como eu, na Escola Adventista de Liberdade, as primeiras experiências de caráter interdisciplinar no âmbito escolar.
No ano de 1998 fui convidado para dirigir um Conservatório Musical na cidade de Rio Preto da Eva, interior do Amazonas, distante 80 km da capital, Manaus. Aceitei o desafio, tive que abrir mão do mar, mas a floresta se mostrou muito acolhedora e o rio caudaloso, com sua tranqüilidade e impetuosidade velada, convidam-nos a pensar e re-pensar. Novas experiências no âmbito profissional, bem como a oportunidade de vivenciar uma nova cultura, se descortinaram diante de meus olhos.
No mesmo ano ingressei na Universidade Federal do Amazonas como professor substituto neste momento, me percebi responsável pela formação de novos docentes nas áreas de Música, Artes Plásticas e Pedagogia. Percebia novamente que seriam necessários novos investimentos em formação. Ir em busca de maior aprofundamento era um pensamento constante. É desta época a primeira publicação em periódico: “A educação musical no processo de educação integral”.
Neste ínterim, comecei a navegar pelos rios do Amazonas, conheci algumas cidades interioranas. As diferenças culturais se apresentavam de forma mais intensa, o contato com o homem ribeirinho e as comunidades indígenas se apresentaram como cenários culturais desafiadores à compreensão da identidade baseada na diferença, foi então que reconheci, à partir do contato com o outro a minha identidade negra e baiana.
A ação docente quer na capital ou no interior, tinha que ser ressignificada, não podia impor meus padrões de conhecimento e negligenciar os saberes locais, tradicionais e até milenares dos sujeitos com os quais estava entrando em contato. A minha ação, neste contexto, precisava produzir o diálogo, o conhecimento conjunto, a troca e a abertura para a interação com este outro diferente que requisitava minha atenção.
Foi neste momento que me encontrei de fato e de direito com a Antropologia Cultural. Clifford Geertz, Ralph Linton, Gilbert Duran, Bronislaw Malinowski e Leandro Tocantis (destaque para uma obra esplêndida deste autor, O Rio Comanda a Vida), começaram a fazer parte das minhas leituras. Muitos dos autores que li possuíam concepções teóricas diferenciadas, algumas até contraditórias mas, precisava relacionar-me melhor com este novo cenário.
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