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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cultura, Sinestesia e o Ensino do Design no Amazonas


Meu primeiro livro...

Alexandre de Oliveira

Resumo

Com prefácio de Franciane Falcão e apresentação de Carlos Guilhermo Rojas Niño, o livro se constitui numa aproximação primeira com um objeto de estudo pouco explorado tanto no âmbito do Design como no campo da educação. Considero ainda que tal objeto se constitui uma temática de ponta, tratada apenas em alguns poucos centros acadêmicos do Brasil e do exterior. Nós, a despeito da exigüidade de fontes concernentes à temática em questão, estamos dando os primeiros passos buscando melhor compreender o fenômeno no âmbito do ensino do Design em nossa região.

Porém, o interesse pelo tema surgiu a partir da Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-graduação em Educação da FACED/UFAM[1], de onde provém a base para a elaboração deste livro. Após a conclusão do Mestrado no ano de 2002 surgiu a oportunidade para desenvolver alguns dos pressupostos e ideias estudados no âmbito do curso de Design de Interface Digital da FUCAPI[2], quer através do exercício da docência em disciplinas tais como: Introdução ao Design Digital, História da Arte, Análise e Interpretação da Imagem, Criatividade, Semiótica e Estética ou ainda no âmbito dos projetos de pesquisa Design e Educação Patrimonial, Projeto Paredes e Amazônia em Busca da Identidade Perdida.

Estas experiências foram expostas numa série de artigos publicados em revistas e em anais de congressos dentre eles destacamos o artigo Alfabetização perceptiva: um novo paradigma para o ensino do Design (Oliveira e Falcão, 2004), quando tivemos a oportunidade de apresentar algumas ideias iniciais sobre a necessidade de uma alfabetização perceptiva no campo do ensino do Design naquele momento, e já ancorados na sinestesia, defendíamos a necessidade de trazer para a discussão no âmbito do ensino do Design no Amazonas a possibilidade de resgate de elementos perceptivos e as possíveis interconexões com as atividades de ensino.

Agora, surge a oportunidade para atualizarmos alguns pontos expostos nas reflexões anteriores e apresentando-os aos leitores em formato impresso e livro digital. Neste sentido, é possível observar que os capítulos apresentam-se de forma independente, pois é desta maneira que eles foram concebidos e no movimento de atualização optamos por manter a linguagem inicial a fim de preservar muitas das ideias apresentadas nos textos iniciais no entanto, é importante observar a tentativa de pôr em diálogo os temas que envolvem esta publicação a saber, a cultural, a sinestesia e o ensino do Design.

Estrutura da obra

O presente trabalho está estruturado em quatro capítulos: No primeiro capítulo intitulado Cultura, Sinestesia e Ensino do Design, apresentamos os eixos que vão nortear nossa discussão no âmbito deste trabalho. Para tanto, discutimos o conceito de cultura sob uma vertente experiencial, para em seguida traçar um paralelo entre sinestesia e cultura partindo do princípio da evolução conjunta entre razão e emoção, culminando com o sentido da educação como instância de reprodução cultural e as (im)possibilidades de superação deste paradigma por meio do diálogo interdisciplinar.

No segundo capítulo Sinestesia e Modernidade buscamos refletir sobre a modernidade à luz da história, rememorando os momentos sinalizadores de rupturas com as estéticas clássicas, positivistas e burguesas; tencionando ainda sinalizar os momentos de transição entre o romantismo e a modernidade, a partir dos poetas Charles Baudelaire e Edgard Alan Poe. O fato de tomarmos o pensamento dos poetas malditos e decadentistas como embasamento para nossas reflexões se configura neste capítulo como uma tentativa de compreender a realidade histórica por um percurso não tradicional, aonde as artes visuais não são tomadas como as únicas capazes de proporcionar uma visão da história da arte.

No terceiro capítulo Conhecendo a Sinestesia, investigamos, a partir das concepções dos pesquisadores Richard Cytowic e Tonino Tornitore, os marcos conceituais bem como a descrição da sinestesia para em seguida entender suas possibilidades de diálogo interdisciplinar.

No quarto capítulo Por um Ensino do Design Sensível, discutimos à luz da fenomenologia de Merleau-Ponty, propostas que possam fertilizar o ensino do Design no Amazonas à luz dos pressupostos anteriormente levantados, a partir de justificativas que vão das especificidades culturais, das interconexões necessárias até esboçar propostas alternativas aos paradigmas ainda vigentes sinalizando para o aquilo que denominamos de ensino do Design sensível.

Disponível para venda nos seguintes sites:

http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=5523&kb=116

http://www.dontkeep.com/



[1] FACED/UFAM – Faculdade de Educação/Universidade Federal do Amazonas.

[2] FUCAPI – Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Negro, feliz assim...

Levei esse meses sem postar nada no blog.
Mas foi por uma boa causa, estava preparando o documento de qualificação ao doutorado.
Hoje quero postar uma poesia...
Explico, estou trabalhando no meu livro de poesias a ser editado ainda esta ano.
Aviso quando estiver pronto.
Mas hoje, quero dividir com vocês um pouquinho dos meus escritos...

Feliz assim
Perceber a diferença
Respeitando a minha crença
No melhor de sua essência
Num pais multicultural

Indio mameluco misturado
Todos no mesmo cenário
A cor é algo imaginário
Somos todos miscigenados?
O Japão aqui do meu lado

Que discurso infeliz
Que reduz mas não condiz
Um olhar diferente
Que observa com espanto
Pardo, moreno, mulata
Me envolvo mas não me encanto

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

4. Cultura, educação e sinestesia



Consciente de que a educação é um fenômeno complexo, multifacetado e inacabado, conforme atesta Morin (1999), candidatei-me ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Amazonas e fui aceito na área de concentração: Educação e Antropologia. Tive a feliz oportunidade de ser orientado pelo competente e paciente Prof. Dr. Carlos Gulhermo Rojas Niño que, conduziu-me a um aprofundamento maior referente às relações entre cultura, arte, educação e antropologia.

O meu horizonte teórico se ampliou sobremaneira, conheci a teoria da Complexidade defendida por Edgar Morin. As questões expostas no Método 5 – A humanidade da humanidade, tornaram-se naquele momento, basilares para o embasamento teórico da maioria das minhas publicações, bem como da dissertação de mestrado.

Durante o processo de modelagem da dissertação nasce Pedro Alexandre, meu filho, a chegada daquele que herdará meus livros, deu novo sentido à minha vida, contribuindo para a ressignificação de uma série de paradigmas. Modificou relações e influiu no meu olhar sobre a vida, o homem e o mundo. Interessante observar como a complementaridade é inerente à natureza como um todo e lembro-me de Merleu-Ponty que, citando Stein, afirma: “a experiência sensível é um processo vital, assim como a procriação, a respiração ou o crescimento” (Merleau-Ponty, 1999 p. 31).

O discurso da integração entre os sentidos humanos, evocados pela sinestesia, se apresentou como uma possibilidade de concretização, na prática, das premissas que vinha discutindo no campo teórico, a saber, a possibilidade de processos integrados de conhecimento em contraposição à fragmentada racionalidade positivista. Defendi a dissertação em 2002 com o título: A sinestesia na relação educação e cultura, um olhar sobre a disciplina expressão cultural e educação no curso de Pedagogia da FACED-UFAM.

O título de mestre não se constitui apenas, uma condecoração ou a ascensão de um lugar diferenciado no círculo acadêmico. Sempre considerei que o manejo do conhecimento se constitui numa ação para a vida, e todo aquele comprometido com este ofício, precisa pensar nas contribuições que o saber pode trazer às pessoas, inclusive à minha. Uma série de rupturas ocorreram neste momento, pois, “leva-se muito tempo para ser jovem” e um outro tempo para ficar maduro. Afastei-me da igreja e em seguida, o divórcio. Assim como os vasos comunicantes, “(...) os sentidos comunicam-se entre si e abrem-se à estrutura da coisa” (Merleau-Ponty, 1999 p. 308.

A Fenomenologia da Percepção de Merleau-Ponty, bem como a hermenêutica de Gadamer e Paul Ricouer ampliaram o meu olhar sobre as questões relativas à interpretação e significação, o contato com a semiótica de Charles Sanders Pierce, também contribuiu para o aprimoramento deste processo de compreensão do real.

As descobertas no campo da sinestesia, também se apresentaram como um grande achado teórico, que veio confirmar a percepção e os investimentos anteriores. Nos caminhos e descaminhos, tive a feliz oportunidade de sair do Brasil, participei de um congresso de Design na Universidade de Palermo em Buenos Aires. Em nossas andanças pelas livrarias da Rua Córdoba, ressalto que estava acompanhado da Francimar. Ali, me deparei com um livro do David Le Breton, um não, dois. Nesta noite não dormi, devorei o livro, descobri a Antropologia dos Sentidos.