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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Blog do Alx: Tanulni, apprendre, learn ou aprender?

Blog do Alx: Tanulni, apprendre, learn ou aprender?: O verbo aprender posto aqui em húngaro, francês e inglês, tem a finalidade de chamar a atenção do leitor para o local de onde estou falando...

Tanulni, apprendre, learn ou aprender?

O verbo aprender posto aqui em húngaro, francês e inglês, tem a finalidade de chamar a atenção do leitor para o local de onde estou falando. Sim, essas reflexões ocorrem no apagar das luzes da minha estada no Velho Continente e como andei distante do blog esse ano, resolvi deixar aqui algumas reflexões sobre os momentos vividos e sobre aprendizados obtidos este ano. Talez um relato de viagens teria sido mais interessante no entanto, considerei este recurso uma obrigação desnecessária, pelo menos para mim, que me forço a tantas coisas, perferi deixar aqui algumas linhas sobre o verbo supra citado.
Lembrei imediatamente do Prof. Niomar Pimenta. Uma vez, aliás em vários momentos, ouvi o professor repetir isto referindo-se à FUCAPI: “nós somos uma instituição aprendente”. Ele proferia e acredito que ainda profere esta frase, referindo-se à ideia de que na instituição, nomeadamente no departamento dirigido por ele, ninguém tem uma fórmula pronta para fazer as coisas e que o aprender a “ser” uma instituição de ensino, se constitui processo e não produto.
Pelo menos, é assim que eu interpreto esta fala que, para mim, é deveras significativa uma vez que, o colocar-se na posição de “aprendente” é um desafio, principalmente para aqueles como eu que, há uns vinte anos, tem desempenhado o papel de ensinante. No entanto, a significânica e a inquietação vem desta dualidade entre ensinar e aprender que, parecem facetas distintas mas não são. A bem da verdade, eu penso que são papeis necessários numa sociedade fragmentada e burocratizada como a nossa, que separa as pessoas por funções e tenta dissociar aspectos da complexidade sócio-cultural que são impossíveis de serem fraccionados, qual seja: o ensinar e o aprender.
Como este duplo não pode ser dissociado, eu assumo a posição de aprendente como associada à minha função de ensinante para, assim, pensar alto sem a pretensão de apresentar a última verdade sobre a questão. Outrossim, quero sintetizar essas elocubrações na forma de sete ideias mas, antes eu quero ressaltar que eu não estou pensando apenas em Portugal ou nos paises que tive a oportunidade de visitar mas, na apresentação das ideias, me reporto também ao meu lugar de origem, à cultura que conheço, mesmo sabendo que conheço-a apenas em parte, dada a impossibilidade de conhecer qualquer cultura na sua totalidade. Então eu vou e volto e talvez, por motivos óbvios de quem está ansioso por retornar à casa materna, meus pensamentos estejam mais lá do que aqui, fazendo com que essas ideias ganhem uma dose de romantismo que eu mesmo não estou conseguindo perceber mas, peço aos leitores que me perdoem a nostalgia de quem, neste momento, tem saudades de casa.
Seguem as ideias:
1. Não existe um estágio final no processo de aprender
Claro que esta ideia é uma obviedade contudo, às vezes tive a sensação de que em alguns lugares as sociedades pararam de aprender. A ideia de modernidade, de cutura milenar, de berço da cultura ocidental com suas ruas muito limpas e organizadas, com sua arquitetura do medievo ao contemporâneo, com seus espaços verdes bem definidos e demarcados transmitiram-me a a sensação de que está tudo pronto e acabado e eu vou ousar dizer que é nesta ideia de cultura evoluída e altamente organizada que reside a estagnação, nomeadamente a estagnação econômica que muitos estão chamando de crise, neste momento. Assim, pensar que o aprendizado tem um ápice é muito diferente de pensá-lo como acabado como processo cristalizado e perene e esta sensação ainda esta vívida em mim neste momento o que me leva a defender a processualidade do aprender como direcionado ad infinitum.
2. Existem sempre outras verdades no percurso do aprender
A minha verdade não é a única e a mais aceitável ou melhor que a do outro, logo, é impensável que existem verdade únicas e universais como às vezes o discurso e a prática tanto no âmbito do senso comum como nos discursos acadêmicos, muitas vezes deixam transparecer. Neste sentido, aquele que fala de outras verdades ou da sua verdade não pode ser visto como exótico, como objeto de curiosidade e às vezes até como mentiroso por possuir outros axiomas diferentes daqueles que estão postos e que talvez, pertençam a um determinado lugar, cultura e sociedade, sendo assim, uma das tantas afirmações existentes.
3. É possível aprender com o diferente
A diferença é uma marca, uma espécie de identidade, de sinal de distinção e eu penso que podemos pensa-la por este caminho. Sendo assim, a pergunta que não quer calar é o que este outro, enquanto diferente, tem a me dizer no entanto, o desfio é não infantilizar o diferente, pois vê-lo como “bonzinho”, “melhoradinho”, “coitadinho” é, de certa forma, colocá-lo numa posição de alguém que merece cuidados, que não pode trilhar os seus próprios caminhos, nesta perspectiva o diferente não é um igual e e se não é um igual, nada tem a me ensinar pois aprendizado requere igualdade de condições cognitivas e se o outro é visto sob o signo do “não tão bom assim” ou do “relativamente incapaz”, usando aqui a percepção sobre o indígena presente na Constituição brasileira, é pouco provável que ocorram relações de aprendizagem significativas para ambos.
4. Aprender pressupõe conviver
E eu gostei deste trocadilho de palavras pois, não é possível aprender à distância, sem a presença, sem o desenvolvimento da sociabilidade. Talvez, retraído que sou, principalmente quanto estou na casa dos outros, não seja a pessoa mais adequada para falar em sociabilidade pois, sou dado à observação e como bom taurino preciso me sentir seguro para permitir a convivência. Mas, após fazer meu meia culpa, quero reforçar que é possível aprender à distância, internet, facebook, google, msn, skype são algumas das ferramentas que podem ilustrar o que digo no entanto, sou da velha guarda e para mim, a presença ainda é um elemento necessário ao aprendizado. Portanto, inda não é possível prescindir da partilha, da troca, do timbre da voz, da experessão fisionômica em dado momento, do gesto não ensaiado que completa o sentido da palavra, dos pequenos sussurros que dizem tanto sobre nós mesmos, enfim estes e tantos outros elementos que somente a convivência proporcionam ao processo de aprendizado.
5. Aprender significa não ter certezas
E eu separei a certeza da verdade e coloquei-a num campo do saber e em contraponto com a in-certeza ou insegurança. Aprendizado pressupõe relativizar as certeza e colocá-las sempre em suspensão, em determinado momento elas tem seu lugar e podem ser utilizadas como discurso afirmativo e em outras ocasiões ela precisa ser colocada em suspensão para que, no contato com o outro, as minhas convicções não transformem as convicções do outro em ignorância pois, como diz Boaventura de Souza Santos, toda ingnorância é ignorância sobre alguma coisa. Sendo assim, a ingnorância não pode invisibilizar as vertezas do outro. As minhas certezas precisam deixar espaço para que aflorem as convicções e dúvidas do outro para que o aprendizado possa se constituir num momento de encantamento, de respeito, de confiança ee segurança tanto para quem ensina como para quem aprende.
6. Passado, presente e futuro, indicam distintos aprendizados
A ideia de que “temos todo tempo do mundo” cantada pelo insígne poeta dos anos oitenta, não pode ser levada a ferro e fogo. “Não temos mais o tempo que passou”, mas desconsiderá-lo como parte do processo de aprendizado é, a meu ver, uma questão problemática. Assim, invisibilizamos a maturidade, “a melhor idade” e a velhice quando esquecemos o passado e trazemos o futuro para o presente como bem destacaram David Harvey, o próprio Boaventura, Morin e Bauman. “Somos tão jovens” mas, não somos eternamente jovens e cada aprendizado tem seu tempo, seu momento e assim precisa ser visto, a ideia de antecipação de etapas ou a ideia de que nenhuma relação temos com o passado ou o pior, a prisão no passado e nas tradições bem como o perigo de considerar o contemporâneo obsoleto e desprovido de vida, são, a meu ver, posições extremadas que conduzem-nos a uma perda de energia no que concerne ao ato de aprender.
7. Aprender pressupõe envolver-se
Às vezes me parece que baniram o amor dos processos de ensinar e aprender e o aprizionaram em lugares irreais e imaginários, à margem do real, locais tais como: as canções românticas, os contos de fada, as novelas, os romances, ou a redução do sexo ao amor. No entanto, eu quero reinvindicar a ideia do amor e o envolvimento que ele proporciona, para dizer que aprender pressupões emocionar-se, chorar, rir, ficar excitado, gritar, enfim, aprender requer amar a si e amar ao outro. Talvez eu esteja falando de várias emoções ao mesmo tempo mas, o aprendizado meramente racional e sem emoção é vazio e desprovido de significado tanto para o aprendente como para o aprendiz.
Uma vez que, infinitas são as lições do envolvimento e uma delas eu penso que o aprender a dar de si, de colocar-se no processo de forma inteira e integral é uma necessidade hoje. Infinitas são as lições que podemos aprender da doação e uma delas é o desenvolvimento da solidariedade, em contraposição à lógica capitalista da acumulação usurária que parece atenuada pela ideia de caridade, de obras sociais, de empréstimos e seus correlatos. É preciso pensar o aprender sob outra lógica, uma lógica do amor e por extensão do envolvimento e da doação como possibilidade para que sejamos pessoas melhores, menos egoístas e mais humanas e que aprender efetivamente proporcione felicidade.

Na verdade eu continuaria listando uma série de outras ideias sobre o aprender mas penso que, por hora, são as que tive condições de sistematizar e apresentar aqui. Penso também que estas ideias sintetizam de foram interessante e supreendente meus aprendizados neste ano e que espero, tenhameles me ajudado a ser um melhor aprendiz e assim ser um melhor ensinador. Me ocorre que em algum momento, estas palavras possam ser usadas contra mim em algum processo de “caça às ideias escritas e não praticadas” e como sempre existe um gap entre o dito e o feito, pode ser que em a minha prática de ensinante/ensinador não reflita minhas ideias de aprendente mas, se isto acontecer eu quero ter a humildade para reconhecer que ainda tenho muito a aprender.
Feliz 2012!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cultura, Sinestesia e o Ensino do Design no Amazonas


Meu primeiro livro...

Alexandre de Oliveira

Resumo

Com prefácio de Franciane Falcão e apresentação de Carlos Guilhermo Rojas Niño, o livro se constitui numa aproximação primeira com um objeto de estudo pouco explorado tanto no âmbito do Design como no campo da educação. Considero ainda que tal objeto se constitui uma temática de ponta, tratada apenas em alguns poucos centros acadêmicos do Brasil e do exterior. Nós, a despeito da exigüidade de fontes concernentes à temática em questão, estamos dando os primeiros passos buscando melhor compreender o fenômeno no âmbito do ensino do Design em nossa região.

Porém, o interesse pelo tema surgiu a partir da Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-graduação em Educação da FACED/UFAM[1], de onde provém a base para a elaboração deste livro. Após a conclusão do Mestrado no ano de 2002 surgiu a oportunidade para desenvolver alguns dos pressupostos e ideias estudados no âmbito do curso de Design de Interface Digital da FUCAPI[2], quer através do exercício da docência em disciplinas tais como: Introdução ao Design Digital, História da Arte, Análise e Interpretação da Imagem, Criatividade, Semiótica e Estética ou ainda no âmbito dos projetos de pesquisa Design e Educação Patrimonial, Projeto Paredes e Amazônia em Busca da Identidade Perdida.

Estas experiências foram expostas numa série de artigos publicados em revistas e em anais de congressos dentre eles destacamos o artigo Alfabetização perceptiva: um novo paradigma para o ensino do Design (Oliveira e Falcão, 2004), quando tivemos a oportunidade de apresentar algumas ideias iniciais sobre a necessidade de uma alfabetização perceptiva no campo do ensino do Design naquele momento, e já ancorados na sinestesia, defendíamos a necessidade de trazer para a discussão no âmbito do ensino do Design no Amazonas a possibilidade de resgate de elementos perceptivos e as possíveis interconexões com as atividades de ensino.

Agora, surge a oportunidade para atualizarmos alguns pontos expostos nas reflexões anteriores e apresentando-os aos leitores em formato impresso e livro digital. Neste sentido, é possível observar que os capítulos apresentam-se de forma independente, pois é desta maneira que eles foram concebidos e no movimento de atualização optamos por manter a linguagem inicial a fim de preservar muitas das ideias apresentadas nos textos iniciais no entanto, é importante observar a tentativa de pôr em diálogo os temas que envolvem esta publicação a saber, a cultural, a sinestesia e o ensino do Design.

Estrutura da obra

O presente trabalho está estruturado em quatro capítulos: No primeiro capítulo intitulado Cultura, Sinestesia e Ensino do Design, apresentamos os eixos que vão nortear nossa discussão no âmbito deste trabalho. Para tanto, discutimos o conceito de cultura sob uma vertente experiencial, para em seguida traçar um paralelo entre sinestesia e cultura partindo do princípio da evolução conjunta entre razão e emoção, culminando com o sentido da educação como instância de reprodução cultural e as (im)possibilidades de superação deste paradigma por meio do diálogo interdisciplinar.

No segundo capítulo Sinestesia e Modernidade buscamos refletir sobre a modernidade à luz da história, rememorando os momentos sinalizadores de rupturas com as estéticas clássicas, positivistas e burguesas; tencionando ainda sinalizar os momentos de transição entre o romantismo e a modernidade, a partir dos poetas Charles Baudelaire e Edgard Alan Poe. O fato de tomarmos o pensamento dos poetas malditos e decadentistas como embasamento para nossas reflexões se configura neste capítulo como uma tentativa de compreender a realidade histórica por um percurso não tradicional, aonde as artes visuais não são tomadas como as únicas capazes de proporcionar uma visão da história da arte.

No terceiro capítulo Conhecendo a Sinestesia, investigamos, a partir das concepções dos pesquisadores Richard Cytowic e Tonino Tornitore, os marcos conceituais bem como a descrição da sinestesia para em seguida entender suas possibilidades de diálogo interdisciplinar.

No quarto capítulo Por um Ensino do Design Sensível, discutimos à luz da fenomenologia de Merleau-Ponty, propostas que possam fertilizar o ensino do Design no Amazonas à luz dos pressupostos anteriormente levantados, a partir de justificativas que vão das especificidades culturais, das interconexões necessárias até esboçar propostas alternativas aos paradigmas ainda vigentes sinalizando para o aquilo que denominamos de ensino do Design sensível.

Disponível para venda nos seguintes sites:

http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=5523&kb=116

http://www.dontkeep.com/



[1] FACED/UFAM – Faculdade de Educação/Universidade Federal do Amazonas.

[2] FUCAPI – Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Blog do Alx: Comentários sobre o Livro Azul da 4ª Conferência N...

Blog do Alx: Comentários sobre o Livro Azul da 4ª Conferência N...: "Hoje, 1 de janeiro de 2011, acordei e pus-me a ler “O Livro Azul”, resolvi inaugurar a primeira publicação no blog com uma exposição, mesmo ..."

Comentários sobre o Livro Azul da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação

Hoje, 1 de janeiro de 2011, acordei e pus-me a ler “O Livro Azul”, resolvi inaugurar a primeira publicação no blog com uma exposição, mesmo que sucinta do conteúdo do deste importante documento.

Trata-se de uma publicação que apresenta os resultados das discussões travadas no âmbito da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Uma primeira versão deste documento foi disponibilizada para consulta pública no dia 03 de novembro de 2010 e a versão final do documento foi lançada no dia 23 de dezembro pelo então ministro Sergio Rezende. Considerando que este documento deverá nortear as políticas públicas na área de ciência, tecnologia e inovação nos próximos 10 anos, é importante que nos debrucemos sobre este documento que deve merecer nossa atenção e um exame acurado das ideias e propostas discutidas ali .

Um dado interessante e que me chamou a atenção, foi a realização de conferências em todas as regiões do Brasil, precedendo a conferência nacional que teve como título “Política de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação com vistas ao Desenvolvimento Sustentável”. Ressalto ainda, através da leitura do documento os 2 (dois) grandes eixos ou “ideias força que emanaram da conferência”, (Livro Azul, 2010 p. 4) a saber: o desenvolvimento sustentável e a inovação.

A ênfase em expressões/termos tais como desenvolvimento, sustentável/sustentabilidade, regional/regionalidade me chamaram a atenção bem como a relação entre este e as dimensões políticas, econômicas, sociais e ambientais necessárias a um modo de vida e por conseguinte, de produção de conhecimento que visem a manutenção desta vida, bem como o posicionamento da comunidade científica brasileira no que respeita à produção de ciência e tecnologia sob uma perspectiva sustentável.

Por outro lado, os temas que nortearam a discussão conjugam os elementos de uma agenda que dizem respeito a vários segmentos, dentre eles destaco o panorama local (regional), uma dimensão nacional e como não poderia deixar de ser, o cenário internacional. Considerando que as questões regionais ou, sendo mais enfático: “do lugar”, necessitam de um olhar diferenciado, o conteúdo do documento para além do mérito de sua exquilibilidade , me parece interessante pois, “fazem pensar”.

Nesta ótica, convida o campo do Design a pensar por exemplo, nas grandes questões que envolvem a agenda de ciência e tecnologia da sociedade brasileira, tal como apontada naquele documento, qual seja: “a inovação nas empresas e na sociedade, a utilização sustentável dos grandes biomas nacionais, com ênfase especial na Amazônia e no mar; a redução dos desequilíbrios regionais e da desigualdade social; o desenvolvimento de tecnologias estratégicas; a consolidação do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia; o fortalecimento da ciência básica e da educação em todos os níveis” (Livro Azul, 2010 p. 4-5).

É importante notar que uma agenda como esta pode interessar ao campo do Design de forma ampla e ao ensino do Design de forma específica, quer na definição de áreas estratégicas de atuação, quer na observação de campos de inserção profissional ou ainda de áreas que representam visão de futuro, bem como temas que poderão nortear pesquisas com vistas tanto ao desenvolvimento de produtos ou estudo de processos.

Contudo, quero ressaltar o cuidado em não atribuir ao campo do Design, responsabilidades que não lhe competem, qual seja, um olhar salvacionista para o campo, expectativa esta que se estende aos seus atores o que, no meu entendimento, acaba por comprometer a atuação do Design e dos designeres, ao tempo que mina a real capacidade do campo em propor soluções que estejam conectados com uma agenda, tal como a que está sendo proposta no documento, objeto desta análise.

Por hora quero destacar 3 (três) pontos que, penso eu, são importantes para nós que vivemos na Amazônia: a diminuição das desigualdades regionais e sociais, o olhar sobre a Amazônia, Ciência, Tecnologia e inovação para o desenvolvimento social e a necessidade de melhorias no campo da educação, para fazer frente aos desafios de ciência, tecnologia e inovação no país.

No que concerne à diminuição das desigualdades regionais e sociais quando o assunto é ciência, tecnologia e inovação, constitui-se numa política que vem sendo implementada nos últimos anos e que já te demonstrado seus efeitos, mesmo que ainda discretos. No entanto, e por uma série de questões, tais políticas precisam avançar na identificação das potencialidades de investigação da região com vista à diminuição das desigualdades que permeiam as diferentes regiões do Brasil.

Demandas regionais precisam ainda ser identificadas de forma mais clara e para tanto, um envolvimento de diversos atores da sociedade civil organizada faz-se necessário, objetivando dar conta da agenda que deve nortear as ações de ciência, tecnologia e inovação para diminuição das desigualdades regionais.

Como se trata de um espaço de opinião, posso afirmar que, no caso da Região Norte, não necessitamos de uma equiparação de recursos, talvez a carência destes seja o nosso grande problema no entanto, não adianta que sejam destinados recursos e não tenhamos uma agenda definida dos temas e potencialidades da região com vistas ao seu desenvolvimento científico e tecnológico.

Por outro lado, a que se considerar a participação de campos de conhecimento e áreas emergentes tais como o Design, a Cultura, a Biotecnologia, setores de Petróleo e Gás, o Conhecimento Tradicional, Automação, Entretenimento, só para citar alguns campos que, no meu entendimento, ainda não tiveram o seu uso potencializado na Região Norte de forma geral, e no Amazonas de forma específica, campos estes que poderiam constituir-se, juntamente com outros segmentos, grandes oportunidades para investimentos, pesquisa, desenvolvimento e inovação.

No que respeita ao olhar sobre a Amazônia (Por uma Amazônia Sustentável, p. 41), penso que o documento traz contribuições importantes e significativas para pensar esta região do Brasil. O desenvolvimento é apontado como questão estratégica, e como desdobramento, o valor da biodiversidade (p. 42), constituição e integração de redes de pesquisa e instituições, a ampliação e fortalecimento de recursos humanos qualificados na região (p.42-43); a superação das carências sociais (p. 43); a consolidação de uma base tecnocientífica para uso sustentável do território amazônico (p. 44) e a Amazônia como potencial de futuro (p.45) são os pontos em destaque.

O tópico Ciência, Tecnologia e inovação para o desenvolvimento social, também merece atenção pois, a inserção do desenvolvimento social na agenda da ciência e tecnologia se constitui num avanço que reconhece outras formas de produção de conhecimento e desenvolvimento econômico, social e ambiental à partir de práticas e modos de fazer que estão presentes no conjunto da vida social, ao tempo que oportuniza também a geração de novos conhecimentos por meio da investigação e de investimentos voltados para o desenvolvimento de inovações sociais, vistas como ciência e como importante elemento para a melhor da qualidade de vida e direito à cidadania.

Quanto a necessidade de melhorias no campo da educação, fica evidente no conjunto do documento que o desenvolvimento de ações que tenham como foco a ciência, a tecnologia e a inovação passam necessariamente, pela melhoria da educação média e básica, como condição necessária para alcance das metas de crescimento e desenvolvimento a médio e longo prazo.

O investimento de 10% do PIB na educação é apontado como uma recomendação e como condição necessária à valorização da profissão de professor com vistas a atração de pessoal para o exercício da atividade docente, principalmente nos níveis médio e básico. A modernização dos programas de formação de professores bem como a implantação de escolas de tempo integral são indicados no documento como forma de garantir uma educação de qualidade.

Em outra vertente, a diversificação de oportunidades de ensino, tanto no que corresponde à formação de professores com a inserção da “investigação em ciências”, tal como a expansão do ensino profissionalizante no nível médio, aliada a flexibilização curricular voltada para uma formação mais generalista e posterior especialização, constituem-se pontos que merecem um exame mais detido e que excedem os limites desta reflexão.

O documento aponta ainda o incentivo à formação de engenheiros, a avaliação dos cursos de graduação e o aumento do número de doutores envolvidos com atividades de pesquisa e desenvolvimento em empresas, como desafios que precisam ser enfrentados tanto pelas instituições de ensino como por aquelas ligadas à pesquisa.

Assim, é importante ressaltar que uma análise do documento não se esgota aqui, trata-se de uma fonte de informações que representa, mesmo que de forma segmentada, o olhar e a percepção dos atores sociais responsáveis pela ciência e tecnologia no Brasil, bem como os encaminhamentos possíveis à partir das diretrizes propostas.

Necessário ressaltar ainda que trata-se de uma síntese das discussões e que observo a existência de um longo caminho envolvendo instâncias político-administrativas, demandas sociais, e disponibilidade orçamentaria para que as propostas ali exaradas sejam levadas a efeito no entanto, trata-se de um excelente indicativo do elementos que nortearão as políticas públicas bem como os investimentos em ciência, tecnologia e inovação na próxima década.